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Volante infiltrador, camisa 5 e zagueiro: Willian Arão foi símbolo de um Flamengo mutante em campo

Por Redação em 15/07/2022 às 07:25:19 Jogador foi termômetro do time durante muitos anos e brilhou em função dada por Jorge Jesus em 2019. Sai do Flamengo como um dos grandes volantes da história do clube. Todo acontecimento tem seu simbolismo. Se a final da Libertadores de 2021 foi o canto do cisne da geração mais vitoriosa do Flamengo após Zico, a saída do volante Willian Arão para o Fenerbahçe, oficializada nesta terça (12), pode ser considerado o fim oficial de um grupo que conquistou glórias e encantou o país.

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O camisa 5 disputou 377 jogos, marcou 35 gols e deu 29 assistências. Conquistou a Libertadores, dois Brasileiros, duas Supercopas do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e quatro estaduais, sendo um dos jogadores mais vitoriosos do clube e um termômetro: se ele brilhava, o time brilhava. Se ele ia mal, o time também ia mal.

Também passou por mudanças de posição que acompanharam a transformação do Flamengo na equipe que quase chegou em 2016 e 2018, encantou o país em 2019, venceu em 2020 e terminou em 2021.

Arão chega ao clube como típico segundo volante

Willian Arão chegou ao Flamengo em janeiro de 2016 como contratação de peso, sendo um dos principais destaques da Série B que o Botafogo fez em 2015. Na época, foi usado por Muricy Ramalho e depois Zé Ricardo como um meia de chegada na área e infiltração: um típico volante infiltrador que tem em Paulinho e Falcão seus grandes representantes.

Rueda, Maurício Barbieri e Abel Braga também pensavam Arão como um jogador de chegada. O que significa ser um “jogador de chegada”? Ele trocava passes com os zagueiros, se movimentava no meio-campo e buscava sempre se posicionar na frente da bola, para chegar na área. Numa das grandes atuações de 2019, Willian Arão decidiu a classificação para a Copa do Brasil contra o Corinthians assim: avançando mais que Cuellar, seu companheiro de meio. Veja como funcionava:

Arão avançava até um espaço entre as linhas do adversário.

Um dos meias (Éverton ou Arrasca) vinha buscar a bola para pensar o jogo lá atrás.

Cuellar, o primeiro volante, ficava atrás para dar cobertura e defender o time de contra-ataques

Willian Arão avançava e atacava espaços antes de Jorge Jesus

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As valências que um segundo volante precisa ter são diferentes de um meia como Éverton, que olha o campo o tempo inteiro e fica responsável pela conexão – feita pelo passe. Um volante infiltrador precisa sempre atacar espaços: correr em direção a alguma lacuna vazia e indicar que ele é uma opção livre para receber a bola. Foram muitos gols feitos assim, em chegadas surpreendentes, com um lateral muitas vezes cobrindo.

Arão chega de surpresa: jogada típica entre 2016 e 2019

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Jorge Jesus muda função tática e forma de cobrir as jogadas ofensivas

Tudo mudou para Arão e o Flamengo com a chegada de Jorge Jesus. O treinador português chegou com um modelo definido, seu famoso 4-1-3-2, e primeiramente pensou em Cuellar como o “1” e Diego na função do meia centralizado, junto de Éverton e Arrascatea. A vitória por 3 a 1 no jogo-treino contra o Madureira, com gol e assistência de Diego, solidificou o plano visto no jogo de volta pela Copa do Brasil, contra o Athletico.

Jesus jamais viu Arão como segundo, por não pressionar adversários tão bem após a perda e deixar um grande e espaço para o primeiro cobrir. Como já chegava e fazia gols, a qualidade com a bola nos pés e a visão de jogo poderia servir mais atrás, na iniciação das jogadas. A saída de Cuellar e a grave lesão de Diego mudou os planos de Jesus, que pediu para o clube contratar Gérson e formar o 4-1-3-2 com Arão como “1”.

A temporada mágica de 2019 começava na visão limpa do jogo e no passe que escondia a bola do adversário lá atrás. Mas lá atrás mesmo, no meio dos dois zagueiros, no movimento chamado saída de três. Filipe Luís e Rafinha abriam bem o campo, e o Flamengo se posicionava em três fases: a primeira com Arão, a segunda com Éverton e Gérson na linha dos laterais e Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique dando profundidade.

Com Jorge Jesus, Arão passou a jogar muito mais recuado

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Esse escalonamento provocava um efeito: os mais criativos do time não vinham mais buscar a bola lá na defesa, como na primeira imagem do texto. Quem iniciava o jogo, pensava e dava qualidade era Arão. Com isso, o quarteto mágico que encantou em 2019 podia trocar de posição e ir tabelando no segundo semestre da Libertadores e Brasileiro que jamais será esquecido.

Não foi apenas com a bola que Arão faz a diferença nessa posição. A forma de cobrir as jogadas mudava. Lembra que nas primeiras imagens, alguns jogadores estão fora do frame? Isso acontece porque estão distantes, lá atrás. Jesus tornou o Flamengo mais compacto. Arão não avançava mais como em outros tempos, mas ajudava o time a recuperar a posse no campo de defesa e continuar fazendo o time girar e girar.

Cobertura ofensiva mudou com Arão de primeiro volante

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Com Rogério Ceni, zagueiro construtor em time ofensivo

Jesus saiu, Dome não deu certo e Rogério Ceni achou o time que seria campeão brasileiro em 2020 na vitória de 2 a 0 sobre o Palmeiras: Diego e Gérson como volantes e Willian Arão surpreendendo a todos como zagueiro. Pode parecer estranho um volante que até pouco tempo era ofensivo como zagueiro, mas Ceni apenas tornou o Flamengo ainda mais ofensivo pelos seguintes fatores:

Arão continuava a fazer a saída de três, mas dessa vez com Filipe Luís por dentro

Isla aproveitava o potencial de explosão e dava amplitude pela direita

Gérson e Diego ajudavam o jogo a fluir ainda mais por dentro

Arão passa a maior parte do tempo de frente para o jogo, próximo aos companheiros

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Arão foi uma espécie de espelho em todas essas versões. Acumulou jogos impressionantes e fez gols decisivos nos melhores momentos com Jesus, Ceni e Renato. Falhou feio em momentos ruins com Paulo Sousa e até com Domenec. Oscilou, assim como todo o elenco.

Mas jamais deixou de entregar em campo e merece ser muito mais elogiado do que criticado. Peça-chave no incrível time de 2019 e na equipe que faturou o Brasileiro de 2020, Willian Arão sai como ídolo e símbolo de um Flamengo que precisa cada vez mais se renovar.

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