Clubes brasileiros usam 'janela da guerra' para repatriar atletas e se reforçarem – FALANDO DE FLAMENGO site de notícias do Flamengo


Clubes brasileiros usam ‘janela da guerra’ para repatriar atletas e se reforçarem

No futebol brasileiro, é inviável para a maioria dos clubes trazer atletas que estão no auge ou consolidados na Europa

A abertura de uma janela especial de transferências representou uma oportunidade de mercado inesperada para os times brasileiros

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Por: , 21/07/2022

Balbuena é apresentado no Corinthians (Foto: Rodrigo Coca/ Ag. Corinthians)

Campinas, SP, 21- A abertura de uma janela especial de transferências para jogadores sob contrato com clubes ucranianos e russos, resultado do conflito entre os dois países, representou uma oportunidade de mercado inesperada para os times brasileiros. Na segunda-feira, o zagueiro Balbuena, anunciado pelo e que estava no Dínamo Moscou, da Rússia, foi mais um jogador, de uma extensa lista, que retornou ao Brasil nos termos da “cláusula de guerra”.

JOGADORES REPATRIADOS

Além do paraguaio, outros também retornaram ao País devido a essa medida excepcional da Fifa. Desde o início da decisão, 15 jogadores já reforçaram oito times da primeira divisão do . O Internacional, por exemplo, foi um dos clubes que melhor aproveitou a suspensão de contratos dos atletas que atuavam nesses países. Com inteligência, poder de convencimento e plano estratégico, o clube trouxe o zagueiro Vitão (ex-Shakhtar Donetsk), os meias Carlos de Pena (ex-Dínamo de Kiev) e Alan Patrick (ex-Shakhtar Donetsk), além do ponta Wanderson (ex-Krasnodar).

O Corinthians, que anunciou a volta do zagueiro paraguaio Balbuena nesta semana, é outra equipe que, assim como o Inter, se utilizou desses reforços para reforçar deficiências na equipe, em especial no setor ofensivo. Por empréstimo, o clube conta durante os próximos meses com Júnior Moraes e Maycon, vindos do Shakhtar Donetsk, e Yuri Alberto, do Zenit, além do zagueiro paraguaio.

“Não se trata simplesmente de uma oportunidade de negócio, mas sim de um apoio e de uma forma dos clubes se ajudarem nesse momento difícil que enfrenta a Ucrânia. A guerra trouxe a possibilidade dos atletas estarem em outras ligas e o Brasil é um mercado que tem essa particularidade de ter ofertado muitos brasileiros para lá”, explica Alessandro Barcellos, presidente do Internacional.

Yuri Alberto já estreou pelo Corinthians (Foto: Divulgação/ Corinthians)

ESPECIALISTA

Na visão de Júnior Chávare, profissional com larga experiência no futebol e que trabalhou no Atlético-MG, São Paulo e Grêmio, o fato dos atletas, que atuam nesses países afetados pela guerra, seguirem carreira nesse período em clubes de outras ligas, sobretudo as que são mais competitivas, pode trazer uma vantagem neste momento, não só aos times que estão cedendo esses jogadores, como também os que estão recebendo.

“Os ativos vão se manter performando e cada vez mais dando possibilidade de, quando surgir um momento de retorno, voltarem em um nível que seja adequado ou ainda mais acima. O atleta quer estar sempre em alta performance, seja na parte tática, técnica, física ou emocional. Viver nesses países, em um contexto de guerra, em que você tem toda uma instabilidade econômica, psicológica e emocional, traz muita insegurança, principalmente para o atleta estrangeiro”, acrescenta Júnior.

No futebol brasileiro, é inviável para a maioria dos clubes trazer atletas que estão no auge ou consolidados na Europa. Porém, essa janela especial tem beneficiado os times, que desde então têm recorrido aos mercados da Rússia e Ucrânia para repatriar jogadores e reforçar seus elencos. Para Rodrigo Marrubia, advogado especializado em direito desportivo, a tendência no Brasil é que novos acertos ocorram nas próximas semanas.

O especialista explica o motivo. “No último dia 21 de junho a Fifa anunciou a prorrogação da possibilidade de suspensão de contratos de jogadores e treinadores estrangeiros com equipes da Rússia e Ucrânia. Os atletas e treinadores que, desde março passado, já estavam liberados para permanecerem em novos times até o dia 30 de junho de 2022, agora têm a possibilidade de suspender seus contratos por mais um ano, até 30 de junho de 2023. Essa medida também visa proteger os clubes ucranianos e dar a oportunidade para os seus ativos atuarem e receberem salários em outros mercados, bem como facilitar a saída de estrangeiros da Rússia”, conclui Marrubia.

Com a abertura da janela de transferências internacionais na segunda-feira, que possibilita que esses reforços sejam inscritos pelos clubes brasileiros nas competições que disputam, novos acordos podem surgir nos próximos dias. Pedrinho, meia-atacante que chegou ao Atlético-MG após deixar o Shakhtar, e o centroavante Yuri Alberto são alguns dos nomes que aguardavam o dia 18 de julho para terem sua situação regularizada no Boletim Informativo Diário (BID).

Os jogadores que atuam na Rússia e Ucrânia terão até 2023 para deixarem seus clubes, sem a necessidade de pagamento de uma multa rescisória ou quaisquer punições. Caso optem por retornarem ao Brasil, poderão ser regularizados até o dia 15 de agosto, quando a janela fecha. É a oportunidade para os times, além de darem o apoio a esses atletas – como afirmou o presidente do Inter -, buscarem as últimas peças para reforçarem seus elencos para a sequência da temporada.

Confira a lista completa de transferências:

CORINTHIANS

Júnior Moraes – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

Maycon – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

Yuri Alberto – Zenit (Rússia)

Balbuena – Dínamo Moscou (Rússia)

INTERNACIONAL

Vitão – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

Carlos de Pena – Dnipro (Ucrânia)

Alan Patrick – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

Wanderson – Krasnodar (Rússia)

ATLÉTICO-MG

Pedrinho – Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

Júnior Alonso – Krasnodar (Rússia)

FLAMENGO

Ayrton Lucas – Spartak Moscou (Rússia)

Pablo – Lokomotiv Moscou (Rússia)

ATHLETICO-PR

Vitinho – Dínamo de Kiev (Ucrânia)

CEARÁ

Matheus Peixoto – Metalist (Ucrânia)

AMÉRICA-MG

Paulinho Boia – Metalist (Ucrânia)

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